Estou confusa, tenho de o admitir.
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Não tendo este blogue qualquer intenção de se tornar numa plataforma de opinião politica, a verdade é que também esta é uma área do meu interesse, tal como outra qualquer que tenha uma forte influência na maneira como nos é permitido a todos levar a nossa vida.
Desde que na terça-feira de manhã, sentada à espera da consulta no centro de saúde, vi na televisão o ex – Alto-Comissário para Imigração e Minorias Éticas, Rui Marques, a anunciar um novo partido designado por Movimento Esperança Portugal, tenho procurado descobrir quais as suas intenções quanto à forma que se propõe a governar este país. Fui ao site do referido Movimento (www.mep.pt - observação engraçada é que está sempre a ser renovada a informação), e naveguei por já nem sei quantos espaços blogosféricos de opinião politica e não só. E fiquei confusa.
A taxa de abstenções, dos votos em branco e a moda do “vou votar no partido X para o partido Y não ter maioria absoluta”, já nos fizeram a todos chegar à conclusão que somos um povo “em regime de orfandade crescente e não se revê na oferta partidária existente”, como afirma Rui Cerdeira Branco no seu blogue "Adufe 4.0" Mas mais grave que a falta de identificação com a oferta partidária, tendo em conta a tendênciosa inclinação para o centro onde hoje em dia os dois maiores partidos portugueses se tocam sem já conseguirmos perceber lá muito bem onde estão as diferenças, é a falta de credibilidade nas pessoas que os governam. Já ninguém acredita em ninguém. Os governantes são maus, pronto e acabou! Acabou, acabou porquê...?!?
Faz-me uma imensa confusão este fim sem remédio aparente em que todos se prostram à sombra dos resmungos e das reclamações sem sequer tentarem fazer alguma coisa para mudar, e eu no fim de tanta leitura, já começo a perceber o porquê. Porque não é suposto acreditar, porque não está instituído ser-se positivo. Grande parte do povo português tornou-se numa espécie de Júlio César de polegar sempre virado para baixo e quem tem ideias vai imediatamente não para a casa da partida pô-las em acção, mas sim para a arena, lutar com os as duvidas, as negações, o escárnio e o descrédito como na antiga Roma se lutava contra os leões. O desfecho é semelhante porque sobreviver é quase impossível quando à partida existem tantas pressões de vontade para o contrário.
Não sei o que se passa connosco para nos desvalorizarmos tanto. Portugal nos últimos anos tem sido palco de descobertas inovadoras, quer na saúde, nas energias renováveis ou outras áreas importantes para o bem-estar e a sobrevivência da Humanidade e do Meio Ambiente. E a nossa história repleta de feitos épicos à conta de sonhadores que foram atrás do que só eles acreditavam, e que conseguíram? Mas já ninguém sonha? Já ninguém quer fazer nada? Já ninguém quer deixar fazer nada? Por isso é que eu, independentemente das crenças, tenho uma admiração especial por quem tem a coragem, a persistência e a resistência necessárias para se fazer existir, a si, às suas ideias ou aos seus projectos.
Quanto ao partido, também eu ainda tenho muitas dúvidas relativamente ao programa político, visto não existir nenhum e algumas informações serem de carácter generalista mas a verdade é que o conceito humanista saliente neste projecto partidário me atrai, bastante. Acho que a qualquer acção, independentemente da sua natureza ou propósito que nasça deste conceito, deve ser dada a oportunidade de existir nem mais que seja para nos conseguir mostrar no que é que consiste na prática. Quanto às pessoas, governantes ou não, temos que lhes dar a todas uma oportunidade, ou só nós é que as merecemos?
Fica em reflexão a pergunta:
Se não acreditarmos que é possível, como é que vamos algum dia mudar seja o que for?