segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E era uma vez...


"Era uma vez uma menina que passeava por uma floresta de pontos de interrogação. Cada um que olhava de longe parecia ser o mais bonito e adequado para aquela história de encantar em que sonhava viver, mas assim que se aproximava, descobria sempre algo que a desanimava ou que a deixava a pensar se não teria sido melhor ter ficado com o anterior que apesar de tudo era melhor nisto ou naquilo...

Ao fim de certo tempo a menina começou a ficar com medo de nunca conseguir encontrar aquilo que realmente desejava e pensou que a sua história poderia ficar sem o fim que tanto procurava.

Resolveu então parar de procurar e olhar para dentro de si para tentar perceber o que é que lhe faltava. Ficou espantada ao ver a desarrumação em que tudo se encontrava, todas as lembranças, os sentimentos como a felicidade ou a tristeza, as realizações e as frustrações, o amor, a paixão, o medo, o carinho, a segurança e mesmo a falta dela, tudo estava misturado, baralhado, magoado, triturado. Sentiu uma enorme vontade de chorar, queria saber como é que ia conseguir arrumar tudo outra vez dentro das suas caixinhas onde há muito tempo atrás tinha tudo estado tão bem arrumado, mas não sabia, aliás, não fazia nem ideia de como é que tudo tinha chegado aquele pandemónio tão grande e por isso até os lugares que antes estavam tão bem organizados, agora estavam também todos trocados.

Saiu daquela floresta que a estava a sufocar, andou, andou, andou e foi dar a um grande pontão. Descalçou-se e sentiu a pedra fria debaixo dos seus pés, respirou fundo e olhou em volta. Àquela hora não havia mais ninguém a passar. O mar, esse estava calmo, tão calmo que o contraste dos seus sentimentos lhe deixou um arrepio de insegurança.

De olhos fechados, deixou-se levar por aquele momento que num prolongamento a deixou descansar. Naquele silêncio de perguntas conseguiu finalmente ouvir o que o mundo tinha para lhe dizer, ouviu as ondas que chegavam à areia e partiam de novo, deixando apenas a musica de quando se tocavam, ouviu as gaivota que voavam em gritos de felicidade por aquela liberdade sem destino. O Cheiro da maresia misturava-se com o da humidade, ouviu o bater do próprio coração.

Abriu os olhos e o nascer do sol deu-lhe a sensação de um novo começo, ela sorriu e entendeu a mensagem. Levantou-se e foi caminhando pela areia sem nunca mais largar aquele sentimento de PAZ"

11/09/96

Há quase 11 anos minha irmã querida que me ofereceste esta linda "estória" de presente de aniversário, que ainda hoje guardo e de vez em quando leio. Acabo-a sempre da mesma maneira...com um suspiro, em paz, descansada e com um sorriso feliz a pensar que é tão bom ter-te assim sempre tão perto.

Um beijinho muito grande da mana mais velha que também gosta muito de ti!

1 comentário:

Sara disse...

O que temos não teve, não tem e nunca terá limitações.

Sempre tua mana querida. Sempre!