sábado, 22 de dezembro de 2007

Mail ao Sr. Primeiro-Ministro

Hoje fui ao prtal do governo para esclarecer algumas dúvidas quanto ao assunto da Flexisegurança e inspirada pelas mesmas acabei por escrever este mail ao nosso Sr. primeiro-Ministro. Um assunto que acho merecer a nossa máxima atenção:

"Exmo. Sr. Primeiro-Ministro,

Começo por agradeçer-lhe a atenção dispensada à minha pessoa.

Tenho dentro das minhas possibilidades horárias, acompanhado os debates sobre a Flexisegurança. Sou trabalhadora por conta de outrem e é um assunto que me preocupa bastante embora que concorde com a necessidade de simplificar o código laboral.

Uma das grandes preocupações demonstradas por vossa Exa., tem sido a do aumento da natalidade, uma preocupação que partilho enquanto cidadã e mulher. Dai esta minha necessidade, se me permite, de o sensibilizar, porque embora concorde com a necessidade da simplificação, em alguns aspectos as propostas apresentadas parecem-me por em risco o desenvolvimento e equilíbrio das famílias.

Pelo que tenho podido constatar, tem-me parecido que a grande preocupação da maior parte das entidades empregadoras é de fazer com que a produtividade e rentabilidade das suas empresas aumente indo contra o desenvolvimento e estabilidade da unidade familiar.

É impossível criar-se filhos se não existem as condições para os acompanhar. Deixar crianças em creches durante 12 horas seguidas não me parece de todo ser uma boa alternativa e muito menos uma solução convidativa ou impulsionadora para se querer ter filhos ou mais filhos.

As crianças e adolescentes precisam de acompanhamento e as famílias para se manterem unidas precisam de tempo juntas para se consolidarem e unirem. Cada vez existe menos tempo, cada vez há mais cansaço e falta de esperança no futuro, num futuro que vise a componente humana, aquela que nos faz mais felizes e consequentemente mais predispostos e produtivos.

Na Flexisegurança observam-se muito as alterações legais entidade empregadora/empregado e porque não também o inverso, empregado/entidae empregadora?

Os maus gestores, como podemos combate-los, especialmente se forem do sector privado?

Observo muitas vezes os trabalhadores a sofrer consequências de más decisões e a serem feitas exigências sem que sejam facultadas as condições para as cumprir. Acho que se poderia também simplificar a justa causa por parte dos trabalhadores.

Trabalho na area de R.H. e tenho constatado que nas pequenas e médias empresas é rara uma boa gestão de recursos humanos, tratam-se maioritariamente os empregados num despachado autoritarismo, visando a desconfiança abusiva por parte dos empregadores e concludentemente surgem as equipas pouco produtivas, desinteressadas e desrespeitadoras.

Tenho a certeza absoluta de que uma competente gestão de R.H. aumenta os laços de confiança entra as duas entidades, empregada e empregadora, o bem-estar no trabalho e consequentemente aumenta a vontade de trabalhar e obviamente os resultados produzidos. Porque é que não é obrigatória uma formação qualificada por parte dos gestores das empresas médias ou pequenas na area de R.H?

Não me parece errado também pensar que se o trabalho for uma fonte de problemas, os empregados passarão a maior parte do tempo a pensar em como resolver esses problemas em vez de pensarem em como fazer bem e melhor o seu trabalho. Se o trabalho for uma fonte de soluções, nenhum empregado vai querer perder o seu emprego!

Muitas vezes, Sr. Primeiro-ministro, aplicam-se normas por pessoas que nunca vão sofrer as suas consequências, o que por certo influenciará a incapacidade do cumprimento destas.

Sr. Primeiro-ministro, fiz questão em transmitir-lhe estas minhas ideias e pensamentos que humildemente lhos apresento na esperança que sejam motivo de reflexão e quem sabe, nos possam ajudar a todos a procurar melhores resultados?

Mais uma vez agradeço a atenção que me dispensou,
Com os melhores cumprimentos,
Bárbara Noronha Soares"

4 comentários:

johnnybgoodpt disse...

Bela missiva, subscrevo integralmente. Acho que para ser mãe hoje em dia em Portugal é necessário ser uma super-mulher: Levar e ir buscar as crianças à creche, infantário, trabalhar a tempo inteiro (ou chegar mesmo a ter 2 empregos como uma colega minha!), mais a lide doméstica. Só não sei como ainda aguentam! Na minha empresa deixei a sugestão de a própria empresa criar uma creche/infantário anexo às suas instalações. Seria uma medida que facilitaria a vida às muitas mães que lá trabalham e aumentaria com certeza os níveis de absentismo/produtividade com que os gestores tanto se preocupam. Infelizmente fiquei com a sensação que a sugestão foi parar àquele famoso arquivo designado por "caixote de lixo". Enfim...

b disse...

Pois é johnnybgood, acredita que é uma GRANDE dificuldade, a primeira é que as crianças/adolescentes não podem ser consideradas como seres autosuficientes e descataveis, precisam de apoio e acompanhamaneto...das SUAS familias, são elas as responsaveis pela sua educação!!! As soluções que se tentam encontrar não vão muito ao encontro disso, tenta-se por parte do governo, arranjar medidas ao encontro de organizar estruturas que permitam deixar as mães/pais mais tempo no trabalho e as crianças/adolescentes MAIS tempo num outro sitio qualquer!!! As consequências estão à vista, desde a falta de civismo ao insucesso escolar. Para se atingir fins a curto prazo, incapacita-se o desenvolvimento a longo prazo. Mas para mim o pior disto tudo, é a FALTA de activismo por parte das pessoas. Todos resmungam mas POUCOS são os que fazem alguma coisa por mudar, como VOTAR nas camapanhas eleitorais onde se dá ou tira força aos partidos que promovem este genero de desumanidades. Infelizmente existem poucas pessoas que tomam posições, sejam estas politicamente ou profissonalmente, ou por serem preguiçosas ou por terem medo, as pessoas acabam por se sujeitar a quase tudo e ainda resmungam...:o(. Temos que nos tornar mais activistas. Desculpa o sesabafo, empolguei-me...:o)

Obrigada pelo commentário!
Feliz Natal para ti.

mjoãonabais disse...

É de se louvar...a necessidade de se te expressares os males desta sociedade e do país,e são tantos... Estives-te bem,a tua escrita é explicita,por isso,mesmo que não obtenhas resposta do dito srº,podes contar comigo para ser mais uma voz altiva como mulher e mãe.Continua assim.
Um Bem-haja
Bj*

b disse...

Boa Mj, "grão a grão enche a galinha o papo", pode ser que de poucos, nos tornemos muitos...activistas.

Obrigada pelo apoio!