quinta-feira, 17 de abril de 2008

O diário de Anica Bouquet

Anica sentou-se e deixou-se ficar a olhar para nada, para absolutamente coisa nenhuma. Estava perdida nos seus pensamentos, deambulava por entre interrogações do porquê. Porque é que há coisas que acontecem, porque é que as pessoas fazem mal, porque é que as pessoas fazem mal umas às outras, porque é que fazem mal a si próprias? Ali sentada reflectia. O mal é inevitável que exista num mundo onde existe tudo, até os opostos, era o que ela se respondia vezes e vezes sem conta àquelas perguntas que eram sempre as mesmas. Ela própria reconhecia já ter feito mal a si e aos outros, claro, se fazia parte da natureza humana é claro que também ela teria o seu quê de maldade, de má. A diferença, pensava, talvez estivesse na consciência de cada um. Ela por exemplo, sempre que fazia mal a alguém, sentia-se triste. E sempre que se sentia triste sentava-se e ficava de olhar perdido numa qualquer tentativa de toma de consciência, para não se esquecer que também ela tinha sido má. Anica gostava de acreditar que é possível não se ser mau.

Sorriu e olhou para o mar sentada na areia. O sol já se estava a pôr lá ao fundo no horizonte e o vento não deixava quietos os seus compridos cabelos ondulados. Repousou a cabeça nos joelhos dobrados e deixou-se ficar sossegada até o sol desaparecer por baixo do seu próprio reflexo.

Começavam a ser horas ir para casa. Levantou-se, e de passo lento fez o caminho de volta para o carro. Procurou no céu a estrela que lhe oferecia um desejo, a primeira a brotar no céu eu se ia tornar estrelado. Fechou os olhos enquanto o pedia, com um sorriso a espreitar, era quase sempre o mesmo e às vezes acontecia, mesmo que não durasse para sempre. A lua estava grande de cheia, esplendorosa, perfeita, ia estar uma noite linda. Uma bela noite de luar.

“O diário de Anica Bouquet”, by me.

3 comentários:

lampâda mervelha disse...

As Anicas do Mundo...

b disse...

Que las ay, las ay...:o)

johnnybgood disse...

simplesmente lindo, b no seu melhor