segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Av. Do Brasil, N 53

Sexta-feira que passou tive que ir a Lisboa para uma reunião. Se o destino é um dos que foge às minhas rotas habituais, acontece-me sempre a mesma coisa, perco-me. E claro, para não fugir à regra, perdi-me. Tinha saído atrasada da reunião anterior e quanto finalmente cheguei, já tinha passado uma hora da prevista para a chegada. Deixei o carro estacionado à “papo-seco” em cima do passeio enquanto o meu anfitrião me dava pelo telemóvel, as indicações quanto à direcção a tomar dentro do recinto. Enquanto falávamos, contemplei toda aquela área e apercebi-me que nunca tinha realizado em como era tão grande. Havia dois portões de entrada e entrei pelo primeiro que dava à escola de enfermagem. Tínhamos combinado que me apanhava num pavilhão mais acima e fui andando apressadamente enquanto ia olhando á minha volta. Vi imensa gente, maioritariamente estudantes. Os pavilhões nem os consegui contar, eram muitos, todos eles de traça igual, própria da época do Estado Novo. Eram todos da mesma cor, cor-de-rosa velho, altos e imponentes. Lá dentro podia circular-se de carro pelas vias alcatroadas e os largos passeios eram todos ladeados por árvores, o que me permitiu o passeio à sombra. A sensação que tive foi de estar num espaço agradável, verde, amplo e sossegado. O ar que ali se respirava não cheirava a cidade. Chegada finalmente ao ponto de encontro, entrei para dentro do alfa-romeu que apareceu quase ao mesmo tempo e seguimos para outra zona de pavilhões onde estacionámos mesmo à frente de um, idêntico a todos os outros. Enquanto íamos entrando, explicou-me que haviam três pavilhões destinados à área da cultura mas àquela hora, só aquele é que estava aberto. Subimos uns pequenos degraus e passada a porta da entrada, cumprimentámos um senhor que estava sentado num amplo átrio atrás de um balcão. Eram evidentes os anos passados por aquelas paredes já sem tinta e o chão agora em cimento que íamos pisando. O meu interlocutor ia-me pondo a par dos trabalhos ali expostos assim como das mais variadas funcionalidades do espaço. Tudo ali sugeria serenidade em forma de Arte. Os inúmeros compartimentos outrora usados para tratar, serviam agora de poiso às diversas formas de expressão artística sobre um único tema. Apesar da evidente recuperação do local, este foi deixado sob a estrutura pura de um tosco harmonioso. Nada era novo, para além da tinta em algumas das paredes que não tinha por objectivo anular o tempo passado. Vista a exposição, dirigimos-nos à outra ala ainda por recuperar. Parámos numa sala onde quase não havia chão e as paredes tinham várias manchas de humidade. Tinha a forma da proa de um barco e na ponta existia a única janela que tinha uma bonita vista de verde, aproada para a copa das árvores. Era linda aquela sala. Acabámos lá a nossa conversa, agradável, tanto quanto o espaço que me deixou com uma única vontade, a de lá voltar.

Com um agradecimento muito especial ao anfitrião, Sandro Resende, Pintor e Director Cultural do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa que gentilmente me proporcionou tão interessante visita.

Para quem não saiba como lá chegar, aqui deixo as indicações, Av. Do Brasil, N 53, Hospital Júlio de Matos. A programação é anual pelo que podem visitar-se as mais variadas exposições de artistas mais, ou menos conceituados.

o blogue: http://pavilhao28.blogspot.com/

3 comentários:

G! disse...

Acho que no dia em que fôr para o Júlio de Matos é para lá ficar de vez...

b disse...

Mas isso é que é uma pena! A próxima exposição que vai lá estar é de se visitar, isto claro para os apreciadores de Arte. À falta de praias tropicais por Lisboa, é sempre uma alternativa descansada que pode certamente tornar-se romântica com a devida companhia da namorada. Experimentem, se depois vos quiserem lá como residentes, podem sempre propor-se a alunos do Sandro Resende!

johnnybgood disse...

Não conhecias o Júlio de Matos? aquele sítio é lindo. e de facto costuma ter uma programação cultural interessante.
Eu até já tentei várias vezes ir viver para lá mas parece que estão sem vagas