quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O diário de Anica Bouquet

Anica perguntou-se sobre quem seria aquela estranha. Pareciam-lhe irreais aqueles episódios lembrados numa história perdida de quem nunca se encontrou. Inclinou-se numa tentativa de reconhecimento daquele rosto, cujo olhar familiar a fixava intensamente. Olhos que lhe falavam sem que tivesse pedido. Aquela sensação estava a começar a incomoda-la. Procurou as semelhanças do que há muito teria reconhecido. Não, pensou, não podia ser, aquela não era ela. Era só uma representação retratada no espelho da imaginação. Ela jamais se deixaria levar por enganos escondidos em promessas feitas de sentenças vãs. Desviou o olhar e saiu da frente do espelho em que tinha estado a observar aquela imagem onde não se reconhecia. Onde não se queria reconhecer. Foi até à janela e deixou-se guiar pela candura da paisagem em direcção à perspectiva. Viu toda a espécie de caminhos, entradas e saídas, cruzamentos e encruzilhadas. Caminhos sem saída em que é preciso voltar atrás. Viu o movimento do ir e do voltar. Viu as infinitas hipóteses do mudar de direcção, do começar. Ao virar-se, observou o reflexo no vidro da janela. Sim, pensou, agora já se parecia ela .

2 comentários:

bono_poetry disse...

...interessante a leitura...achei piada a praia e aos gelados de borla...gulosa!!!

b disse...

Geladinhos mas de soja...lololol!!!

welcome!
Bjis
b