segunda-feira, 20 de abril de 2009

EREMITÉRIO

mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior dessa ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto

4 comentários:

johnnybgood disse...

faltou mencionar o autor: Al Berto

b disse...

Tans toda a razão! Vou já corrigir isso!:-)

bono_poetry disse...

...quem o viu escrever entre os sonhos que deixava em cada letra trocada?
...sei de cor alguns poemas e linhas nem sempre organizadas nem sendo sequer amostras de palavras ou sentimentos...
...mas a mensagem seria unica e consistente com o que sonhava e deixava ser...
...nao era so poeta e autor era homem e pensador...
...poeta de raiz na sua eterna alma nada faria mais sentido que se sentir constantemente perdido...
autor,era o que o distinguia,quem lhe acertava as horas perdidas...
...era homem e nao hajam duvidas do seu encantamento...
...era pensador e ficaremos sempre nas pequenas conversas tidas de ele para ele e mais ninguem que nao quisesse participar,era inconstante e constantemente se perdia...amava dizia ele...cada sonho de todos nos...
...saudacoes e sorrisos b.!

paxxxeco disse...

gosto do Al..mas continuo a preferir o Alf